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  • Elisa Florim

Psicoterapia

Atualizado: 16 de ago. de 2021


Quando iniciei a minha própria terapia, aos 19 anos de idade, eu não imaginava o quanto a minha vida seria mudada. Eu cursava a faculdade de psicologia, e foi o momento em que tive certeza de que queria ser terapeuta. Após os inúmeros resultados positivos e indispensáveis que a psicoterapia me trouxe, eu quis que as pessoas também se beneficiassem disso. Eu desejei mudar a vida das pessoas para melhor, ajudá-las onde elas precisassem ser ajudadas, cuidar do que elas tinham de mais valioso: a sua vida emocional. A nossa vida emocional é como se fosse a nossa casa. Se a nossa casa está em desordem, se faz um barulho muito alto ou se está muito escuro, não conseguimos ter uma boa qualidade de vida. É uma metáfora interessante, não? Para viver bem, precisamos arrumar a nossa casa: olhar o que tem nela e jogar fora o que não nos serve mais; organizar as tarefas domésticas; fazer reformas, decorá-la com o que mais tiver valor para a gente. É isso que a psicoterapia promove: este cuidar emocional. A nível psicológico e também corporal.


O que é?


Sendo mais específica, o trabalho terapêutico é composto por diversas técnicas e intervenções que permitem ao indivíduo (em sua esfera biológica, psíquica e social) a criação de novas formas de lidar com as diversas situações e obstáculos que surgem diante dele. Exemplos que podem ser considerados obstáculos: as situações inacabadas do passado, que não ficaram bem resolvidas; qualquer tipo de situação nova que seja difícil para ele(a) se adaptar; as indecisões; a dificuldade nos relacionamentos; lidar com o medo, a ansiedade e outros sentimentos e/ou sensações físicas; a perda de algo ou alguém, que configura uma situação de luto que não foi ou não está conseguindo ser elaborado; vencer a timidez ou a dificuldade de falar em público; depressão, dentre muitos outros.


Paradoxalmente, na psicoterapia quanto mais o indivíduo muda, mais ele se torna ele mesmo. É como uma lagarta que se transforma em borboleta. Existe uma mudança na sua estrutura, na abertura e atitude para que o vôo ocorra, mas isso só acontece porque ela foi ela mesma e aceitou-se como é - pôde, assim, entrar em contato com a sua força e também com as suas dificuldades. Afirmo que a dor faz parte de todo o crescimento emocional e que, sem ela, não seria possível reconhecer a força interna, ouvir a si mesmo e desenvolver o que chamamos em psicologia de resiliência - capacidade de lidar com as situações adversas mantendo-se emocionalmente saudável. Em outras palavras, conseguir ficar bem mesmo depois de passar pelos problemas ao longo da vida.


O terapeuta identifica onde estão as interrupções de energia do cliente e devolve às emoções o seu fluxo natural de energia, promovendo a integração do organismo como um todo. As formas cristalizadas e padronizadas de funcionamento ganham vida e mobilidade através da retomada da criatividade (esquecida após as imposições familiares e sociais, comuns na nossa sociedade). Desta forma, o cliente passa a conseguir produzir respostas mais saudáveis e criativas, adaptáveis e flexíveis. O trabalho é pautado no princípio da auto-regulação organísmica, onde entende-se que o organismo sempre busca a sua melhor forma de funcionar naquele momento. Acredito que, ainda que não seja plenamente saudável, a forma atual é a o máximo que ele está conseguindo dar de si mesmo para ficar bem. Assim, a partir do momento em que identificamos e trabalhamos naquilo que o está prejudicando, o organismo consegue trabalhar bem sozinho, sem a ajuda do terapeuta. O cliente, ao final da terapia, já tem um nível de consciência sobre si próprio mais elevado e já descobriu ou criou novas ferramentas para lidar com as adversidades.



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